Sempre torci o queixo para o livro "O Gaúcho"
de José de Alencar. Afinal, que poderia um pisa flores como ele saber
de nossa cultura? Terminei ontem de madrugada e, apesar de alguns
exageros, típicos da época em que foi escrito, foi uma grata surpresa
tê-lo conhecido finalmente.
As aventuras de Manuel Canho para vingar o pai e acalmar a alma são acompanhadas de perto por seus cavalos, a quem ele tinha como irmãos. E essa essência, de Centauro do Pampas, Alencar soube expressar muito bem. Com bem menos talento, por supuesto, fiz algum tempo atrás uns versos que agora compartilho. Ainda com a lembrança dos pingos literários Juca, Morena, Ruão e Morzelo! Que Deus os tenha, assim como todo flete pampeano, extensão e alma do gaúcho!
As aventuras de Manuel Canho para vingar o pai e acalmar a alma são acompanhadas de perto por seus cavalos, a quem ele tinha como irmãos. E essa essência, de Centauro do Pampas, Alencar soube expressar muito bem. Com bem menos talento, por supuesto, fiz algum tempo atrás uns versos que agora compartilho. Ainda com a lembrança dos pingos literários Juca, Morena, Ruão e Morzelo! Que Deus os tenha, assim como todo flete pampeano, extensão e alma do gaúcho!
Se
meu cavalo falasse
Tenho um cavalo de ouro,
Daqueles que não se esquece,
Mas tá partindo, meu mouro
Pois cavalo também envelhece!
Daqueles que não se esquece,
Mas tá partindo, meu mouro
Pois cavalo também envelhece!
Meu flete está me deixando,
Mas pra sempre vou lembrá-lo,
Vai meu pingo trotando,
No rumo do céu dos cavalos...
Mas pra sempre vou lembrá-lo,
Vai meu pingo trotando,
No rumo do céu dos cavalos...
Não queria ver o momento
Do final desta parceria,
De rédea um pensamento,
Ah, que baita montaria!
Do final desta parceria,
De rédea um pensamento,
Ah, que baita montaria!
Se o meu cavalo conversasse,
Quantas histórias contaria
Ah, se o meu pingo falasse,
Quem sabe o que ele diria...
Quantas histórias contaria
Ah, se o meu pingo falasse,
Quem sabe o que ele diria...
"Troteei na pampa afora,
Paleteando muito boi brabo,
Já servi de carga e escora,
Mas sou forte e nunca me acabo
Paleteando muito boi brabo,
Já servi de carga e escora,
Mas sou forte e nunca me acabo
Cavalguei faceiro no corredor,
Levando no lombo o ginete,
Que sempre me deu valor,
E me tratava feito gente
Era bem mais que meu dono,
Pois era como um amigo,
Montava com tope e entono
E sempre contava comigo!
Levando no lombo o ginete,
Que sempre me deu valor,
E me tratava feito gente
Era bem mais que meu dono,
Pois era como um amigo,
Montava com tope e entono
E sempre contava comigo!
Nas correrias de marcação
Ou trotando rumo à mangueira
Nem precisa rédea na mão,
Quando a dupla é bem parceira
Ou trotando rumo à mangueira
Nem precisa rédea na mão,
Quando a dupla é bem parceira
Quando se ia pros fandango,
As pilchas bem arregladas,
Levava na mão um mango,
Mas só pra fazer fachada!
As pilchas bem arregladas,
Levava na mão um mango,
Mas só pra fazer fachada!
E eu ia loco de bueno,
Pateando de cola alçada,
Faceiro feito sinuelo,
Desfilando pela estrada
Mas o tempo passa pra todos,
E passou pra mim também,
Vieram pingos mais novos,
Só me restou dizer amém!
Pateando de cola alçada,
Faceiro feito sinuelo,
Desfilando pela estrada
Mas o tempo passa pra todos,
E passou pra mim também,
Vieram pingos mais novos,
Só me restou dizer amém!
Mas não me arrependo de nada,
E sempre vou confirmá-lo...
Tive a existência iluminada,
Que bom que nasci cavalo!"
E sempre vou confirmá-lo...
Tive a existência iluminada,
Que bom que nasci cavalo!"

Q lindo Gustavo, não sabia deste teu lado sobrinho. Parabéns
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